Por enquanto, a reunião do G-20 (grupo das 20 nações mais industrializadas), realizada no dia 15 de novembro, consolidou a presença dos BRIC em uma relevante mesa onde se discutiu como lidar com os efeitos da crise financeira e também sobre os principais planos do como vão ser as reformas do sistema financeiro internacional. Durante o encontro, os integrantes do grupo aumentaram o tom de suas vozes para evitar o protecionismo e impulsionar políticas anticíclicas para enfrentar a crise.
“Celebramos os avanços do BRIC como fórum de diálogo e de ações comuns. Nossos países representam uma força poderosa no debate global. Os países em desenvolvimento são responsáveis por 75% do crescimento da economia do mundo”, declarou semana passada o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, após uma reunião no Rio de Janeiro com seu colega de BRIC, o presidente russo Dmitri Medvedev.
Naquela oportunidade, Lula e Medvedev anunciaram a primeira cúpula presidencial do grupo, que vai ser realizada na Rússia, em 2009. “Temos grandes expectativas na reunião. A Rússia e o Brasil, em conjunto com a China e a Índia, têm condições de sair desta crise não com lágrimas, mas com oportunidades, fazendo com que nossa associação seja mais forte”, disse Lula.
Anteriormente, o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, disse que as maiores economias emergentes estão prontas para contribuir mais ao Fundo Monetário Internacional (FMI), em troca de uma participação maior na organização multilateral. Por outro lado, o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, acrescentou que o país estimular a criação de novos grupos multilaterais para supervisionar os mercados financeiros.
Motores do crescimento
Segundo analistas, se a economia mundial conseguir crescer ano que vem mais de um ponto percentual, o mérito é da demanda dos BRIC. Segundo eles, estes países ainda têm desafios se quiserem se converter em impulsores de um crescimento continuado e atores de um novo paradigma de intercâmbio comercial entre as nações.
“Para que possam atuar como um bloco ainda mais relevante nas finanças e o comércio internacional, requer-se uma opção mais decidida pela abertura internacional e a globalização de suas empresas”, disse a AmericaEconomía.com o diretor da Divisão de Comércio Internacional da Cepal, Osvaldo Rosales.
O economista da Cepal reconhece que o Brasil avançou muito nos últimos anos na globalização de suas empresas. “Estou seguro que quando for reestabelecida a normalidade nos fluxos financeiros, o processo de internacionalização das empresas brasileiras vai continuar”, disse. Rosales explicou que como resultado dessa maior inserção internacional, a economia brasileira se beneficia adquirindo melhores padrões de qualidade e aproveitando as oportunidades globais que se abrem às suas empresas.
Comércio Sul-Sul
Quais são os benefícios da consolidação do grupo BRIC para as economias da região? Segundo o especialista da Cepal, o processo deveria refletir-se em uma dinâmica de comércio sul-sul muito mais relevante. Até hoje, esses fluxos são demonstrados em termos de comércio que a China realiza com a África e a América Latina, mas Rosales explicou que este intercâmbio “tende a reproduzir os esquemas básicos de comércio centro-periferia que criticávamos em décadas passadas”.
Rosales disse que, para que o comércio sul-sul seja um fator de efetiva transformação produtiva das economias latino-americanas e de diversificação exportadora, “deveria existir também ênfase no comércio intra-industrial (entre fábricas ou manufaturas) e na abertura do comércio de serviços”.